domingo, 7 de abril de 2024

Filha

Acordei hoje com vontade de ser filha. Uma vontade danada de ser filha. Acordar com cheiro de café se espalhando pela casa. Ouvir "pegou o casaco?" antes de sair. Chegar em casa e ser recebida com o cheirinho das minhas comidas preferidas. Ganhar um cafuné. Tomar um par de broncas. Ouvir histórias da família. Saudades de ser filha, só filha. Filha.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Feliz Ano Novo

Início das férias. Natal. Ano novo. Família. Amigos. Viagens. Retorno. Trabalho. Carnaval. Quarta-feira de cinzas. Desfile das campeãs. Domingo anunciando a segunda. Agora sim, feliz ano novo. 2024 iniciando. Que seja bom.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Saudade em fragmentos 1

Conheci o significado da palavra “saudade” com quase quarenta anos. Sim, já havia sentido saudade, é claro. De uma amiga que foi embora para Campinas, com quem me correspondi por carta durante alguns anos. Sim, carta. Não havia internet, muito menos WhatsApp. Depois, a vida nos levou a caminhos diferentes e à arte do desencontro. Senti saudades dos amigos e das tardes de basquete quando mudei de escola. E saudades de dormir à tarde quando comecei a trabalhar. Saudades brandas, leves… Também senti uma saudade-que-aperta-o-coração da risada da minha tia, dos cabelos grisalhos do meu avô, da alegria da minha avó. Saudade de gente que partiu. Saudade apertada essa. E aí, sem avisar, chegou uma saudade que dói. Dói mesmo. Uma saudade que carta, telefone, internet nenhuma dá jeito. Nem fotos, nem lembranças. A saudade de alguém que vai embora, vira estrela e que talvez, um dia, encontre de novo. Talvez. A morte é repleta de talvez. Talvez a pessoa vire estrela, talvez ganhe o descanso eterno, talvez encontremos um dia. Talvez. E no meio desse tanto de talvez, há uma certeza: a saudade que teima em inundar os olhos, a acelerar o coração, a tornar os dias cinzas. A saudade da minha mãe.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Desejos

Desejo a vocês... Fruto do mato Cheiro de jardim Namoro no portão Domingo sem chuva Segunda sem mau humor Sábado com seu amor Filme do Carlitos Chope com amigos Crônica de Rubem Braga Viver sem inimigos Filme antigo na TV Ter uma pessoa especial E que ela goste de você Música de Tom com letra de Chico Frango caipira em pensão do interior Ouvir uma palavra amável Ter uma surpresa agradável Ver a Banda passar Noite de lua cheia Rever uma velha amizade Ter fé em Deus Não ter que ouvir a palavra não Nem nunca, nem jamais e adeus. Rir como criança Ouvir canto de passarinho. Sarar de resfriado Escrever um poema de Amor Que nunca será rasgado Formar um par ideal Tomar banho de cachoeira Pegar um bronzeado legal Aprender um nova canção Esperar alguém na estação Queijo com goiabada Pôr-do-Sol na roça Uma festa Um violão Uma seresta Recordar um amor antigo Ter um ombro sempre amigo Bater palmas de alegria Uma tarde amena Calçar um velho chinelo Sentar numa velha poltrona Tocar violão para alguém Ouvir a chuva no telhado Vinho branco Bolero de Ravel. Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 26 de junho de 2012

Uma música, doces lembranças...

No palco, acompanhado de uma orquestra primorosa, Milton Nascimento canta suas canções doces, intensas, poéticas. E, de repente, anunciada pelos acordes dos músicos, concretiza-se na voz do poeta aquela canção que tocou numa noite especial, noite essa que marcara o fim de um tempo tão bom que hoje só vive na memória. Os sentimentos de outrora foram despertados ali, no teatro, durando a efemeridade da música, do primeiro ao último acorde. Grandes amigos, a quadra da escola, a pracinha, os geladinhos no bar, os ovos que marcavam a passagem do ano, o basquete, as paixões, as tardes de sexta-feira, as brigas, os risos, os choros, a subida do Colina Verde, os segredos, tudo passando velozmente pela memória, marejando os olhos... Um tempo que não volta, que deixou saudade, mas que, sem dúvida, ainda é tão parte de mim. *Esse texto é para vocês, amigos, que compartilharam esse tempo bom.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Leitura, memória, livros e afetos

***Transcrevo aqui o texto publicado no Midiaeducação (http://midiaeducacao.com.br/?p=9360) Um convite para escrever não poderia resultar em outro assunto senão leitura, minha grande paixão. É sobre o entrelaçamento de leitura, memória, livros e afetos que vou tecer algumas linhas aqui. Se a literatura está hoje presente em minha vida é porque somos aquilo que vamos colhendo nos “bosques” que atravessamos. História, de acordo com meu repertório, significa a minha mãe nos apresentando aquelas enciclopédias pesadas e cheias de páginas para tentar sanar as dúvidas representadas pelos porquês da infância; o meu pai com seus livros de cabeceira e suas revistas de atualidades e a avó querida embalando nossos sonhos de sábado à noite com os contos de fadas tradicionais ou com as histórias de ar que inventava. Já na escola, visitei o Menino Maluquinho, uma certa fada que tinha ideias, a Isabel marcada por uma lágrima, o Zezé e o carinhoso Portuga e o Tistu com seu dedo verde. Essas visitas levaram-me a buscar e conhecer novos sendeiros como Manuel Bandeira e o gostoso ritmo de seus poemas, Drummond e os ombros que suportam o mundo, a sensibilidade de Cecília Meireles, a poesia mínima de Helena Kolody, o doce e sofrido Miguilim de Guimarães Rosa, dentre outros tantos autores, personagens e obras que me fizeram sorrir, chorar, amar e até mesmo odiar. São imagens como essas que povoam minha memória e que acesso quando falo em histórias, leituras. A palavra história fica grávida de significados quando busco na memória recordações passadas, mas também presentes. Isso porque memória não é simplesmente um passado, um ponto final, um fim em si mesma. A memória é construção, está em constante renovação. A cada nova leitura realizada, a memória é também renovada. Nela, os livros que nos desafiam, que nos afetam de alguma forma, vão morar. E ali ficam adormecidos, para despertarem com o mais delicado sussurro, provocando mais uma vez os sentimentos – ora outros, ora os mesmos. Quando lemos um livro, um quadro, um filme, uma peça, um musical, enfim, um texto, deparamo-nos com alguns sinais que emanam uma motivação e que nos fazem acionar a memória, criar laços com a alma, com o coração. Esse acervo de histórias que fica em nossa memória nos faz refletir sobre o que lemos. Com a leitura, colhemos conhecimentos que são armazenados na memória; assim dá-se a interpretação, assim atribui-se à memória a condição de herança valiosa, que é renovada a cada dia. E como a memória de cada indivíduo conta com determinadas lembranças, cada leitor visita um texto de um modo, descobrindo nele diferentes tesouros. É como Helena Kolody diz sabiamente em um de seus poemas: no poema e nas nuvens, cada um descobre o que deseja ver. É por isso que a literatura liberta e nos convida a grandes voos, voos de águia. Abrir um livro, ver um filme, ouvir uma música, apreciar um quadro, é deixar aflorar as muitas malas contendo as bagagens da vida. É acessar memórias pessoais e coletivas e renová-las. É ler com olhos-de-ver-o-mundo, buscando o novo a partir da herança viva que se traz nas veredas da memória, é tecer as palavras liberdade, transformação e identidade – ave palavra! – com todos os seus significados, no coração e na memória. Ler é criar uma grandiosa teia de afetos que transformam o ser num contínuo e sempre novo ir-e-vir. É por isso que tenho a literatura como uma grande paixão.

sábado, 17 de março de 2012

Dia em mim

Com o dia sendo anunciado
lá fora, pela luz da manhã,
seus braços me envolvem num abraço
e seus lábios tocam docemente os meus.
E assim, o dia lá fora
faz dia também em mim.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Embrulhos


Os embrulhos
feitos lindamente
de papel pardo
e laços de barbante
chegaram essa semana
de mansinho, de surpresa
pelo correio da vida
para fazer recordar
que é preciso coragem
esperança, utopia e sonhos
que é preciso amor
crença, paixão e afetos.
Os embrulhos?
Já guardados
calentando o coração.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Lua, hoje...


Às vezes a lua no céu parece ganhar um sentido um tanto diferente aos olhos de quem a observa aqui embaixo, com os pés no chão. A lua afaga a alma, alumia o coração, desperta os sentidos, provoca o desejo pelo desconhecido, pelo mistério da vida. Cheia de si, plena, faceira, passeia pelos olhos e provoca suspiros, afetos, paixões lá do alto, tão alto, fazendo os pés deixarem - ainda que momentaneamente - de tocar o chão.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Doces memórias doces

Sinto saudades de quem está longe. Das conversas fora de hora. De chegar e olhar para cima, procurando a luz acesa do quarto.
Sinto saudades de quem partiu. Do riso sincero e franco. De fazer cafuné.
Saudades sinto também do tempo que foi. Das tardes na praça e na quadra, embaixo de sol e chuva, das paixões inocentes que ficaram lá trás.
O cheiro do lanche, o roçar das mãos, o gosto da cana cortada pelo avô e do doce de leite, as histórias contadas e recontadas, os discos voadores perseguidos nas noites de sexta-feira. Saudades! Tudo ultrapassado velozmente pelo tempo. Tempo esse que passou mas, generoso, não apagou da lembrança as doces memórias.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Adeuses

Dia de despedida. A vida, em seu constante movimento do ir-e-vir, acaba mesmo sempre em despedida: despedidas que anunciam o novo e que despertam saudade.
Pouco menos de um ano vendo os mesmos olhares e trejeitos, aprendendo a reconhecer a voz, a letra, tentando até mesmo decifrar pensamento... Isso é aprender a conhecer. Aprender a gostar. Aprender a respeitar e a querer bem.
A tarde ensolarada de quase-dezembro foi inundada de música, conversa, futebol, guloseimas e muita - muita! - correria e animação. E também de sorrisos e algumas lágrimas.
Mais um rito de passagem se cumpre, adeuses invadem o coração e a espera pelo novo, pelo aprender-a-conhecer-novamente outros olhares compartilha o espaço com a saudade que começa a brotar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Recuerdos

Saudades de quem não está ao alcance dos olhos, mas faz bater apressado o coração.
Faz a alma sorrir quando a memória desata a recordar de histórias que já foram um dia.
Faz as mãos sentirem o toque, o abraço que agora é preciosa recordação.
Saudades do que já foi e que, de certo modo, teimosamente ainda é em mim.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Ampulheta da vida

O tempo vai sinalizando o término de mais uma fatia da vida, o início de outra, e o trajeto de-um-lado-ao-outro é repleto de ventania, tempestade. As horas de sono diminuem ainda mais, a agenda fica com suas páginas coloridas de compromissos, o mural cheio de não-esqueça!, as pilhas de papel abarrotam todos os cantos e armários e estes pedem uma arrumação, por favor!
Mas também há flores e borboletas enfeitando este trajeto, lembrando as amizades feitas e refeitas, os sonhos sonhados e alguns conquistados, os livros lidos e relidos, os presentes recebidos dos meses do 2011 que vai acabando na ampulheta da vida.

domingo, 18 de setembro de 2011

Semana literária

O Sesc promoveu, aqui em Curitiba, uma semana repleta de discussões acerca da Literatura. Milton Hatoum, Ana Maria Machado, Cristóvão Tezza, Mariana Ianelli, Michel Laub, dentre outros, discutiram sobre o espaço ocupado pela literatura na sociedade atual. Os discursos, embora heterogêneos, perpassaram por caminhos comuns: a necessidade de formarmos leitores, a literatura que seduz, as relações entre realidade e ficção e o papel social da literatura, que descortina outras realidades ocultas, levando-nos a percorrer sendeiros inusitados, experimentando novas perspectivas e sentimentos.
Parabéns ao Sesc, ao José Castello e a todos os envolvidos por promover o encontro entre literatura, autores e leitores, alegrando mais uma semana fria na cidade.

domingo, 14 de agosto de 2011

Memória no palco

Entra no palco, entre luz e sombra, aquela figura pequenina e sorridente, segurando um violão, embalando o corpo de um lado para o outro com a melodia tocada. Assim Toquinho entra no palco do Teatro Positivo, cantando e tocando canções cravadas na história, embalando a noite de sábado com deliciosas lembranças.
A cada acorde tocado, o baú da memória é visitado, mexido e remexido. E dali, saltam os dias da infância, quando papai tocava violão nas noites sem luz do sobrado. O violão do irmão que rompia com o silêncio da praia. A voz encantada da avó explicando o que significava o "descolorirá" da vida. As aulas em que redescobri Vinicius de Morais, Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell com o olhar da academia, mas sem abandonar o olhar do coração. O livro que anda meio adormecido na estante, com a história da Bossa Nova. As mãos entrelaçadas no auditório, ouvindo "os beijinhos que darei na sua boca", procurando algo mais... que não veio. As "Músicas para decifrar você" que chegaram, carinhosamente, pelo correio e que, mesmo depois de tanto tempo, ainda tocam. As ruas do Rio de Janeiro exalando toda a história da Bossa Nova. As mesmas ruas em que caminharam, num outro tempo, noutra terra, uma gente, uma vontade e um violão.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Oui?

Muitos amores
Alguns dissabores
Soma de encontros
E desencontros
O vem, o vai
O ir, o vir
C'est la vie!
Oui?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Literatura, lugar de encontro

Ontem, numa noite fria curitibana, o calor das palavras de Bartolomeu Campos de Queirós aqueceu o coração dos presentes no Teatro Paiol.
O escritor, envolvido em seu cachecol, participou do belíssimo evento "Paiol Literário", um bate-papo acerca da literatura mediado por Rogério Pereira. Contou histórias de sua infância, falou do encantamento da literatura e dos grandes problemas que a sociedade enfrenta por não formar leitores.
Idealizador do "Manifesto por um Brasil literário", Bartolomeu vive a literatura com carinho e a tem como um lugar de encontro, como uma boa prosa com a dúvida, com a incerteza, com o encontro , com a delicadeza.
Quando questionado sobre o papel da escola na formação de leitores, com voz doce e olhar reflexivo, o autor diz que a escola foi feita para servir, a literatura para encantar. Como que contando "causos" fala do olhar do professor que imobiliza, da escola-que-é-mensurada-por-números e da necessidade do afeto, da carícia do olhar. Diz ainda que educar pressupõe deixar o outro ser dono do próprio destino e que a criança aprende para ser amada por aquele que sabe: o professor.
Portanto, enquanto a escola for medida com números e deixar o encantamento do lado de fora da sala de aula não será capaz de promover o encontro do leitor com a magia, com a liberdade, com a palavra que organiza o caos, com os silêncios do texto, com o mundo sonhado que só encontramos nas páginas de um livro.

domingo, 5 de junho de 2011

Você lembra?

Um dia, assim, de repente, abrimos os olhos um pouco diferente e descobrimos que não, o para-sempre não é mesmo para sempre.
As amizades não são para sempre.
Os amores findam.
A felicidade não é eterna.
Os bons momentos terminam.
A vida é um eterno ir-e-vir, o mundo gira-e-gira com o aval do tempo. Tudo muda, tudo passa,tudo acaba.
Mas nesse ir-e-vir, tudo também recomeça. Recebemos de presente outros amigos. Temos o coração calentado por novos amores. Nossos dias são invadidos por bons momentos que a felicidade - por vezes efêmera que só ela - traz.
E tudo que o tempo traz e leva tatua a memória. Assim, os cheiros, os sabores, os sons, as imagens, o calor da vida estão sempre a brincar de "você lembra?" com o pensamento e com o coração.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Literatura Infanto-Juvenil

Literatura Infanto-Juvenil é literatura, minha gente.
Literatura que inicia os leitores no mundo tão real e tão imaginário, literatura que seduz, literatura que liberta!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A banda mais bonita da cidade

O mesmo link com o título "Oração" apareceu com uma recorrência incrível no facebook neste final de semana. Meus olhos, de tanto visualizarem o link, aguçaram a curiosidade de alma que, finalmente, se rendeu. Que surpresa boa! Imaginei que fosse alguma oração-em-forma-de-música-gospel... Imaginação equivocada essa! A banda mais bonita da cidade,grupo aqui de Curitiba, gravou o clipe "Oração" de uma só vez, sem interrupções. A música, embora repita muitas e muitas vezes a pequena letra, tem uma melodia doce e, aliada à alegria do grupo, nos convida a saltar da cadeira e adentrar a aconchegante casa que serve de cenário. Os mais de 900 mil acessos no youtube mostram não só que a música agradou o público, mas a velocidade que a informação circula na internet. Aqui, informações sobre o show da banda dia 09/06, no Sesc da Esquina: http://www.sescpr.com.br/noticias.php?getNoticia=2433